Nosso Canal no Youtube
Veja nossos vídeos

Artigo: Treinar ou só formalizar?
Leia aqui

Artigo: 15 Mandamentos do Técnico de Segurança do Trabalho
Download aqui

PARA PENSAR


Quando edificares uma casa nova, farás um parapeito, no eirado, para que não ponhas culpa de sangue na tua casa, se alguém de algum modo cair dela.

Deuteronômio: Capítulo 22, versículo 8


GOSTOU DO SITE?
Clique aqui
Se você gostou do nosso site indique para um amigo.

COMO ESCREVER PROCEDIMENTOS
Alterar tamanho da fonte: A+ | a-

Uma das tarefas mais comuns  executadas pelos profissionais do SESMT é escrever procedimentos. Isso na  verdade é quase uma atribuição visto que a legislação determina que cabe ao  empregador informar os riscos e emitir ordens de serviço sobre segurança e saúde  no trabalho e este – nas empresas onde existem profissionais de segurança e  saúde do trabalho – vale-se do mesmo para a elaboração dos  procedimentos.

Quem atua diretamente na  área de prevenção de acidentes sabe da importância dos procedimentos. Na verdade  a maior parte da cultura prevencionista brasileira veio destes documentos –  escritos ao longo dos anos nos mais diversos locais de trabalho e que pouco a  pouco vieram ganhando espaço e alguns deles até mesmo servindo como base para as  normas oficiais e técnicas.

Tempos depois com a chegada  da “onda da qualidade” o escrever procedimentos tornou-se uma febre que muitas  vezes tendenciou ao exagero. Equivocadamente muitas empresas entenderam que  escrevendo estariam atendendo as normas ou pelo menos os auditores. Recentemente  um dos órgãos responsáveis por uma destas normas alterou substancialmente o  sentido da norma e dentre os objetivos – para esta mudança – certamente o coibir  o excesso de papel e valorizar a prática – foi levado em  conta.

Atualmente, com o despertar  para os Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde – temos visto ocorrer a mesma  coisa em muitas empresas. Isso sem falarmos na fobia pela obtenção de evidências  documentais que ao longo da última década fez com que pilhas e mais pilhas de  documentos (procedimentos, instruções, autorizações, etc) fossem sendo  desenvolvidos e emitidos pelos SESMT. Entendo, que se por um lado isso  contribuiu de alguma forma para formação de conhecimento em nossa área, ao mesmo  tempo, tornou-a também um tanto quanto burocrática demais e assim um pouco mais  distante da sua real finalidade. Como em tudo na vida – buscar a dose certa  parece ser recomendável.

Com este artigo tencionamos  fornecer linhas básicas que permitam ao colega de prevenção desenvolver  procedimentos de uma forma mais padronizada. Para isso primeiro precisamos  entender o que é um procedimento de segurança, ou seja – PROCEDIMENTO DE  SEGURANÇA É UMA SÉRIE DE AÇÕES QUE DEVEM SER SEGUIDAS PARA REALIZAR UMA  ATIVIDADE DE TAL FORMA QUE ESTA NÃO CAUSE DANOS AO SEU EXECUTOR OU A TERCEIROS 

Um ponto essencial a ser  observado com relação aos procedimentos é saber se de fato há necessidade de que  ele seja escrito. Parece obvio, mas não é. Em muitos lugares de trabalho é comum  observarmos aquelas rechonchudas pastas que servem não mais do que objetos de  decoração. Precisamos levar em conta algumas coisas da cultura brasileira, a  primeira delas e que grande parte de nosso povo não tem o hábito de ler. Assim,  o melhor procedimento do mundo torna-se o mais inoperante também. Tenho visto  por ai verdadeiros tratados, bem escritos, bem ilustrados e trabalhados, mas que  jamais foram capazes de chamar a atenção dos seus reais usuários. Portanto, é  preciso definir com clareza quais operações ou ações carecem realmente de  procedimentos. Escrever por escrever ou para atender qualquer exigência é perda  de tempo e de recursos. Um bom método para discutir a real necessidade é  discutir o assunto com um grupo, do qual obrigatoriamente devem fazer parte as  pessoas as quais se destinam o procedimento a ser feito.Neste debate devem ser  avaliados diversos pontos, entre eles a complexidade da atividade a ser  executada, as implicações e conseqüências de uma desvio em alguma das fases,  etc.

Escrever procedimentos deve  sempre ser trabalho de equipe. Por mais trabalhoso que seja – o desenvolvimento  conjunto implica numa espécie de compromisso por parte dos envolvidos o que já é  um bom ponto de partida para a futura implantação. Obviamente desta equipe deve  fazer parte o especialista em segurança e saúde no trabalho – não para posar  como autoridade – mas para garantir que o texto esteja de acordo com as normas  oficiais e técnicas. Sempre deve ser priorizada a iniciativa dos demais  participantes, pois estes detêm a informação prática e também serão os que  seguirão o que for definido. Grande parte do insucesso das normas diz respeito a  forma vertical com que são elaboradas e implantadas – ou melhor –  impostas.

Da equipe devem fazer parte  representantes das áreas envolvidas na situação a ser normalizada. É comum notar  que muitas equipes contam apenas com homens de produção deixando de lado por  exemplo os integrantes da manutenção. Isso muitas vezes acaba inclusive  implicando na geração de mais de um procedimento para o mesmo assunto – o que  torna a situação ainda mais complexa e de difícil atendimento. Um bom  procedimento deve contemplar todas as fases. Uma dica para a checagem quanto a  isso é usar as cinco variáveis do processo (mäo de obra, máquinas, meio  ambiente, método e materiais). Olhando-se assim, por exemplo podemos começar  pelas necessidades da mão de obra envolvida (exames específicos, treinamentos,  pausas, etc). Logo em seguida podemos focar a questão das máquinas e  equipamentos (manutenções, preventivas, EPC, limpeza, etc). Passando ao meio  ambiente podemos definir as questões de controles ambientais aplicáveis. Indo ao  método podemos definir itens importantes para a segurança e ergonomia. Quando  chegarmos aos materiais podemos definir inspeções prévias, aprovações para o  caso de produtos químicos, etc.

Um ponto importante também a  ser observado e a questão de possíveis pontos inter áreas ou departamentos. Não  é incomum que situações de risco ou perigo sejam gerados em operações feitas em  áreas anteriores do processo e que isso não esteja contemplado no estudo para  elaboração ou mesmo no próprio procedimento. Quando este for o caso é essencial  envolver no desenvolvimento do procedimento pessoas de outras áreas. Sempre – a  difusão e debate sobre os riscos será muito favorável, mesmo que por fim opte-se  por não emitir um procedimento.

Um procedimento que surja da  real necessidade e que esteja escrito em linguagem acessível e a partir do  debate com o envolvidos é sem sombra de dúvida um forte elemento prevencionista  – além de ser um documento pleno caso seja preciso demonstrar gerenciamento de  segurança para dado assunto. Quando há consciência quanto a real utilidade dos  procedimentos estes melhoram em muito a comunicação e minimizam a ocorrência de  enganos e falhas.

PROCEDIMENTOS NA  PRÁTICA:

Vamos seguir agora passo a  passo um roteiro para o desenvolvimento de um  procedimento.:

1)  Formação de um Grupo de  Trabalho

Como já foi dito acima  deverá ser composto conforme o assunto a ser tratado. Essencialmente devem fazer  parte os representantes do SESMT, da manutenção, da produção e todas as demais  áreas que tenham envolvimento com o problema e principalmente com a  solução.

Ao formar a equipe – para  agilizar os trabalhos – devem ser definidas algumas regras. A primeira delas diz  respeito a duração das reuniões, que sugerimos jamais passe de 60  minutos.

Deve-se também definir um  líder para orientar os trabalhos e se possível escolher alguma metodologia ou  ferramenta para pelo menos no inicio garantir um formato lógico ao  debate.

02)  Discutir a  intenção

É um bom começo – ou seja –  fazer ou não um procedimento ?  Este  procedimento contribuirá para melhoria ?   Será possível cumpri-lo ? enfim, conforme a realidade de cada empresa ou  assunto.

03)  Definir o  alcance

Trata-se de uma parte  bastante interessante. Cabe aqui a sensatez de notar os limites do grupo e sua  ação, se este foi designado pela direção, etc.

Neste ponto é essencial que  representantes de todas as áreas a serem alcançadas participem do debate. É  muito ruim a cultura de elaborar procedimentos para que os outros cumpram sem  que ao menos sejam consultados. Se o procedimento tiver alcance corporativo é  preciso discuti-lo com responsáveis por outras  fábricas/Unidades/Plantas.

04)  Definir o  objetivo

Agora que já temos  uma equipe de trabalho, a certeza da  necessidade do procedimento e o alcance do mesmo, vamos definir o foco do  procedimento. Veja que este ponto é de suma importância pois é a partir da  clareza deste que teremos ou não um procedimento acessível e interessante.  Deve-se evitar a difusão de assuntos e temas, buscando a especificidade que no  entanto, contemple todas as fases do processo ou ação.

Daqui sairemos com a  definição “Procedimento para......

05)  Descrição do  procedimento

É a alma do trabalho. Na  minha forma de trabalhar recomendo que seja trazido para a reunião uma bem  elaborada análise de riscos do processo, operação ou ação que será objeto do  procedimento. Neste momento não deve ser apresentado ao grupo as medidas de  segurança propostas pois este irá discuti-las na seqüência. O profissional de  segurança e saúde deve no entanto manter junto a si as necessidades mínimas e no  futuro debate intervir sutilmente quando notar que algo ficou de fora. Com ela  em mãos transcrever todas as fases num quadro e discutir exaustivamente com o  grupo tanto a seqüência como cada uma das fases. Recomendo que esta fase do  trabalho seja feita em mais de uma reunião – ou em quantos forem necessárias  conforme a dimensão do estudo.

Nesta fase a participação do  Líder do grupo é fundamental e será decisiva para obtenção de um número maior de  informações fornecidas pelos participantes.

Concluída a parte de  definição das fases e hora de discutir as medidas de segurança. Por experiência  própria posso dizer que este momento geralmente é surpreendente para nós que  somos da área, pois as medidas propostas geralmente alcançam o mais alto nível e  muitas vezes excedem nossas expectativas. Além disso o debate favorece o  desenvolvimento da cultura e questionamento da prevenção e como já foi dito  anteriormente – traduz-se em compromisso futuro.

Neste ponto é importante  zelar pela simplicidade da linguagem. Há toda uma tendência de “escrever difícil  para ficar bonito” – procedimento não é poesia !

06)  Definir  Responsabilidades

Já definimos acima o que  deve ser feito, aqui iremos definir por quem será feito. Cuidado especial ao  atribuirmos responsabilidades a funções ou áreas ausentes ou mesmo  responsabilidades a funções/áreas que não tenham funcionalmente como  assumi-las.

07)  Citar  referências

O procedimento ganhará força  ou possibilitará consultas a fontes mais detalhadas quando citarmos as  referências utilizadas para sua elaboração.

08)  Glossário

Quando for impossível evitar  termos técnicos ou que não seja usuais pelos empregados é essencial colocarmos  um glossário contendo as palavras e termos que possam ser motivo de  duvida.

09)  Distribuidor

É preciso dizer quem irá  receber o procedimento, geralmente feito pelas funções (Gerentes, Supervisores,  Operadores, etc – desta área, ou de todas as áreas ou todas as fábricas, enfim,  cada realidade é uma realidade diferente)

10)  Anexos

Se há necessidade de  planilhas, quadros, desenhos anexos, os mesmos devem ser citados no próprio  procedimento em campo especifico.

11)  Data de emissão/Responsável  pela emissão/Data revisão

Todo procedimento deve ser  datado e quando atualizado constar a data de revisão. Deve também ter o nome  do(s) responsável(is) pela elaboração/revisão.

OUTRAS  RECOMENDAÇÕES

Escrito o procedimento é  preciso agora pensar em duas coisas. Primeiramente na forma de distribuição.  Difícil definir aqui uma forma única que se aplique a empresas que tenham 50  empregados e outra com 20 mil. Uma coisa é certa: deve ser feita contra  assinatura. Hoje em dia, com o uso de meios de informática é comum vermos  empresas onde a divulgação de procedimentos é feito via intranet. Acho  interessante a modernidade, mas bem sei que nem todos acessam a intranet e que  em muitas empresas nem mesmo a disponibilidade de terminais para todas as  pessoas. Vale aqui citar que o desconhecimento de um procedimento de segurança  muitas vezes e em certos casos pode significar perdas de vidas humanas.  Portanto, não confie tanto na modernidade ainda engatinhando em muitas empresas.  Um outro bom motivo para ter uma lista de assinaturas é poder depois enviar as  atualizações caso sejam necessárias e ter certeza através que todos irão  recebe-la.

Também não podemos deixar de  pensar na implantação: isso mesmo: alguns procedimentos carecem de ações  especificas para implantação, que vão desde simples reuniões até – em alguns  casos mais complexos e bem sucedidos – apresentações teatrais. Fica claro que  transferir informação para alguém carece de cuidados que devem ser bem  analisados e talvez nestes residam os bons resultados.

Bem, de forma geral era isso  que tinha a dizer. Espero que tenha contribuído para o desenvolvimento de bons  procedimentos que com certeza irão contribuir para o desenvolvimento da  prevenção de acidentes.

Cosmo Palasio de Moraes Jr.
Técnico de Segurança do Trabalho.

Divulgação e reprodução autorizadas desde que mencionado o autor e a fonte.


Cosmo Palasio de Moraes Jr.

Artigos


 
Copyright © 2014 CP Soluções em Prevenção. Todos os direitos reservados.
Website desenvolvido com tecnologia Super Modular

 

TREINAMENTOS
Veja aqui

PALESTRAS
Veja aqui

SIPAT
Veja aqui

ARTIGOS
Leia aqui

Leia textos e artigos sobre Segurança do Trabalho, escritos pelos melhores profissionais do país!


Clientes
Login:
Senha: 
Esqueceu a Senha ?

Adicione aos favoritos
Adicionar

Informações
Desejo receber informações e novidades por e-mail.
Nome:
Email: